Pouca definição menina

Pouco usual. Mulher que possui pouca idade; menina. [Pejorativo] Mulher que está em mancebia; amásia, concubina. [Pejorativo] Amante de clérigo. Sinônimos de Mancebas. Mancebas é sinônimo de: barregãs. Definição de Mancebas. Singular: manceba. Outras informações sobre a palavra. Possui 8 letras Possui as vogais: a e pousada - Diccionario Portugués-Español online. Traduções principais: Português: Espanhol: pousada From the English 'bed and breakfast' sf substantivo feminino: Substantivo exclusivamente feminino.Ex. 'atriz', 'menina', etc. Aqui encaixam-se também os substantivos compostos compostos. Cabelo cacheado com volume e pouca definição. ... 'Uma menina' 16H21. 28 Ago. Apaixonada por vinho? Confira 8 mitos e verdades sobre a bebida! 10H02. 27 Ago Portuguese-English dictionary. Use the input field above to search the Portuguese-English dictionary and enter a Portuguese word to translate. If you would like to find the Portuguese translation of an English word you can search for that as well. Atualização 16/08/2020: Menina estuprada pelo tio deixa o ES para interromper gravidez em outro estado A Justiça estadual, por meio da Vara da Infância e Juventude de São Mateus, autorizou na última sexta-feira (14) que a menina de 10 anos que engravidou após ser abusada sexualmente pelo tio poderá interromper a gestação, seja pelo aborto ou pelo parto imediato do feto, conforme ... Menina Vídeos - Descarregue 778,267 vídeos de stock com Menina GRATUITAMENTE ou a taxas incrivelmente baixas! Novos utilizadores desfrutam de 60% de desconto. A definição do gênero do bebê não depende da mulher, mas sim do homem. O espermatozoide que carrega o gene masculino (Y) normalmente “nada” mais rápido até o óvulo e apresenta pouca resistência. Já o esperma feminino (X) é mais lento no percurso e sobrevive por mais tempo no corpo da mulher. mocinhas Significado de Mocinhas. Mocinhas é o plural de mocinha. O mesmo que: brotos, moçoilas. Significado de mocinha. Moça de pouca idade, menina muito jovem. [Brasil] Aquela que se caracteriza como heroína em histórias, novelas, filmes, livros etc. [Brasil] Ictiologia. Nome comum de algumas espécies de peixes teleósteos também conhecidos como: gordinho, redondo, pampo, saguiru ... Devolver os lipídios para os fios. Ela é a grande responsável por dar oleosidade para os cabelos. Se o seu cabelo está com muito frizz, sem balanço e com pouca definição, ele precisa de nutrição. 3 – Reconstrução: A reconstrução é a etapa responsável por repor as proteínas dos fios. A reconstrução é feita quando o seu ... A forma correcta na frase em causa será mesmo concluí-lo (com acento), pois trata-se do infinitivo do verbo concluir, seguido do pronome átono o que assume a forma -lo, por estar a seguir a uma forma verbal terminada em -r (que desaparece). O acento surge para que se mantenha o hiato do infinitivo (isto é, para que as vogais ui não formem um ditongo).

O Clube das Senhoras Mortas

2019.07.18 19:18 altovaliriano O Clube das Senhoras Mortas

Link: https://bit.ly/2JFSJ6B
Autor: Lauren (autodescrita como "dona de pre-gameofthrones e asoiafuniversity")

“Senhoras morrem ao dar à luz. Ninguém canta canções sobre elas.”
O Clube das Senhoras Mortas é um termo que eu inventei por volta de 2012 para descrever o Panteão de personagens femininas subdesenvolvidas em ASOIAF a partir da geração anterior ao início da história.
É um termo que carrega críticas inerentes a ASOIAF, que esta postagem irá abordar, em um ensaio dividido em nove partes. A primeira, segunda e a terceira parte deste ensaio definem o termo em detalhes. As seções subsequentes examinam como essas mulheres foram descritas e por que este aspecto de ASOIAF merece críticas, explorando a permeabilidade da trope das mães mortas na ficção, o uso excessivo de violência sexual ao descrever estas mulheres e as diferenças da representação do sacrifício masculino versus o sacrifício feminino na narrativa de GRRM.
Para concluir, eu afirmo que a maneira como estas mulheres foram descritas mina a tese de GRRM, e ASOIAF – uma série que eu considero como sendo uma das maiores obras de fantasia moderna – fica mais pobre por causa disso.
*~*~*~*~
PARTE I: O QUE É O CLUBE DAS SENHORAS MORTAS [the Dead Ladies Club]?
Abaixo está uma lista das mulheres que eu pessoalmente incluo no Clube das Senhoras Mortas [ou simplesmente CSM]. Esta lista é flexível, mas é geralmente sobre quem as pessoas estão falando quando falam sobre o CSM [DLC, no original]:
  1. Lyanna Stark
  2. Elia Martell
  3. Ashara Dayne
  4. Rhaella Targaryen
  5. Joanna Lannister
  6. Cassana Estermont
  7. Tysha
  8. Lyarra Stark
  9. A Princesa Sem Nome de Dorne (mãe de Doran, Elia, e Oberyn)
  10. Mãe sem Nome de Brienne
  11. Minisa Whent-Tully
  12. Bethany Ryswell-Bolton
  13. EDIT – A Esposa do Moleiro - GRRM nunca deu nome a ela, porém ela foi estuprada por Roose Bolton e deu à luz a Ramsay
  14. Eu posso estar esquecendo alguém.
A maioria do CSM é composta de mães, mortas antes de a série começar. Deliberadamente, eu uso a palavra "panteão" quando estou descrevendo o CSM, porque, como os deuses da mitologia antiga, estas mulheres normalmente exercem grande influência ao longo da vida de nossos atuais POVs e sua deificação é em grande parte o problema. As mulheres do CSM tendem a ser fortemente romantizadas ou fortemente vilanizadas pelo texto; ou em um pedestal ou de joelhos, para parafrasear Margaret Attwood. As mulheres do CSM são descritas por GRRM como pouco mais do que fantasias masculinas e tropes batidos, definidas quase que exclusivamente por sua beleza e magnetismo (ou falta disso). Elas não têm qualquer voz própria. Muitas vezes elas sequer têm nome. Elas são frequentemente vítimas de violência sexual. Elas são apresentadas com pouca ou nenhuma escolha em suas histórias, algo que eu considero como sendo um lapso particularmente notório quando GRRM diz que são nossas escolhas que nos definem.
O espaço da narrativa que é dado a sua humanidade e sua interioridade (sua vida interior, seus pensamentos e sentimentos, à sua existência como indivíduos) é mínimo ou inexistente, que é uma grande vergonha em uma série que foi feita para celebrar a nossa humanidade comum. Como posso ter fé na tese de ASOIAF, que as vidas das pessoas "tem significado, não sua morte", quando GRRM criou um círculo de mulheres cujo principal, se não único propósito, era morrer?
Eu restringi o Clube das Senhoras Mortas às mulheres de até duas gerações atrás porque a Senhora em questão deve ter alguma conexão imediata com um personagem POV ou um personagem de segundo escalão. Essas mulheres tendem a ser de importância imediata para um personagem POV (mães, avós, etc.), ou no máximo elas estão a um personagem de distância de um personagem POV na história principal (AGOT - ADWD +).
Exemplo #1: Dany (POV) – > Rhaella Targaryen
Exemplo #2: Davos (POV) – > Stannis – > Cassana Estermont
*~*~*~*~
PARTE II: "E AGORA, DIGA O NOME DELA."
Lyanna Stark, "linda e voluntariosa, e morta antes do tempo". Sabemos pouco sobre Lyanna além de quantos homens a desejaram. Uma figura tipo Helena de Troia, um continente inteiro de homens lutou e morreu porque "Rhaegar amou sua Senhora Lyanna". Ele a amava o suficiente para trancá-la em uma torre, onde ela deu à luz e morreu. Mas quem era ela? Como ela se sentiu sobre qualquer um desses eventos? O que ela queria? Quais eram suas esperanças, seus sonhos? Sobre isto, GRRM permanece em silêncio.
Elia Martell, "gentil e inteligente, com um coração manso e uma sagacidade doce." Apresentada na narrativa como uma mãe e uma irmã morta, uma esposa deficiente que não poderia dar à luz a mais filhos, ela é definida unicamente por suas relações com vários homens, com nenhuma história própria além de seu estupro e assassinato.
Ashara Dayne, a donzela na torre, a mãe de uma filha natimorta, a bela suicida, não temos quaisquer detalhes de sua personalidade, somente que ela foi desejada por Barristan o Ousado e Brandon ou Ned Stark (ou talvez ambos).
Rhaella Targaryen, Rainha dos Sete Reinos por mais de 20 anos. Sabemos que Aerys abusou e estuprou para conceber Daenerys. Sabemos que ela sofreu muitos abortos. Mas o que sabemos sobre ela? O que ela achou do desejo de Aerys de fazer florescer os desertos dorneses? O que ela passou fazendo durante 20 anos quando não estava sendo abusada? Como ela se sentiu quando Aerys mudou a corte de Rochedo Casterly por quase um ano? Não temos respostas para qualquer uma dessas perguntas. Yandel escreveu todo um livro de história de ASOIAF fornecendo muitas informações sobre as personalidades e peculiaridades e medos e desejos de homens como Aerys e Tywin e Rhaegar, então eu conheço quem são esses homens de uma forma que não conheço as mulheres no cânone. Não acho que seja razoável que GRRM deixe a humanidade de Rhaella praticamente em branco quando ele teve todo O Mundo de Gelo e Fogo para detalhar sobre personagens anteriores a saga, e ele poderia facilmente ter escrito uma pequena nota lateral sobre a Rainha Rhaella. Temos uma porção de diários e cartas e coisas sobre os pensamentos e sentimentos de rainhas medievais do mundo real, então por que Yandel (e GRRM) não nos informaram um pouco mais sobre a última rainha Targaryen nos Sete Reinos? Por que nós não temos uma ilustração de Rhaella em TWOIAF?
Joanna Lannister, desejada por ambos um Rei e um Mão do Rei e feita sofrer por isso, ela morreu dando à luz Tyrion. Sabemos do "amor que havia entre" Tywin e Joanna, mas detalhes sobre ela são raros e distantes. Em relação a muitas destas mulheres, as escassas linhas no texto sobre elas deixam frequentemente o leitor a perguntar, "bem, o que exatamente isso que dizer?". O que exatamente significa que Lyanna fosse voluntariosa? O que exatamente significa que Rhaella fosse consciente de seu dever? Joanna não é exceção, com a provocativa (ainda que frustrantemente vaga) observação de GRRM de que Joanna "governava" Tywin em casa. Joanna é meramente um esboço grosseiro no texto, como um reflexo obscuro.
Cassana Estermont. Honestamente eu tentei recordar uma citação sobre Cassana e percebi que não houve qualquer uma. Ela é um amor afogado, a esposa morta, a mãe morta, e não sabemos de mais nada.
Tysha, uma adolescente que foi salva de estupradores, apenas para sofrer estupro coletivo por ordem de Tywin Lannister. O paradeiro dela tornou-se algo como um talismã para Tyrion em ADWD, como se encontrá-la fosse libertá-lo da longa e negra sombra de seu pai morto, mas fora a violência sexual que ela sofreu, não sabemos mais nada sobre essa garota humilde exceto que ela amava um menino considerado pela sociedade westerosi como indigno de ser amado.
Quanto a Lyarra, Minisa, Bethany e as demais, sabemos pouco mais que seus nomes, suas gravidezes e suas mortes, e de algumas não temos sequer nomes.
Eu por vezes incluo Lynesse Hightower e Alannys Greyjoy como membras honorárias, apesar de que, obviamente, elas não estejam mortas.
Eu disse acima que as mulheres do CSM ou são postas em um pedestal ou colocadas de joelhos. Lynesse Hightower se encaixa em ambos os casos: foi-nos apresentada por Jorah como uma história de amor saída direto das canções, e vilanizada como a mulher que deixou Jorah para ser uma concubina em Lys. Nas palavras de Jorah, ele odeia Lynesse, quase tanto quanto a ama. A história de Lynesse é definida por uma porção de tropes batidas; ela é a “Stunningly Beautiful” “Uptown Girl” / “Rich Bitch” “Distracted by the Luxury” até ela perceber que Jorah é “Unable to support a wife”. (Todos estes são explicados no tv tropes se você quiser ler mais.) Lynesse é basicamente uma encarnação da trope gold digger sem qualquer profundidade, sem qualquer subversão, sem aprofundar muito em Lynesse como pessoa. Mesmo que ela ainda esteja viva, mesmo que muitas pessoas ainda vivas conheçam-na e sejam capazes de nos dizer sobre ela como pessoa, elas não o fazem.
Alannys Greyjoy eu inclui pessoalmente no Clube das Senhoras Mortas porque sua personagem se resume a uma “Mother’s Madness” com pouco mais sobre ela, mesmo que, novamente, não esteja morta.
Quando eu incluo Lynesse e Alannys, cada região nos Sete Reinos de GRRM fica com pelo menos uma do CSM. Foi uma coisa que se sobressaiu para mim quando eu estava lendo pela primeira vez – quão distribuídas estão as mães mortas e mulheres descartadas de GRRM, não é só em uma Casa, está em todos os lugares da obra de GRRM.
E quando digo "em toda a obra do GRRM," eu quero dizer em todos os lugares. Mães mortas em segundo plano (normalmente no parto) antes de a história começar é um trope que GRRM usa ao longo de sua carreira, em Sonho Febril, Dreamsongs e Armageddon Rag e em seus roteiros para TV. Demonstra falta de imaginação e preguiça, para dizer o mínimo.
*~*~*~*~
PARTE III: QUEM NÃO SÃO ELAS?
Mulheres históricas e mortas há muito tempo, como Visenya Targaryen, não estão incluídas no Clube das Senhoras Mortas. Por que, você pergunta?
Se você for até o americano comum na rua, provavelmente será capaz de lhe dizer algo sobre a mãe, a avó, a tia ou alguma outra mulher em suas vidas que seja importante para eles, e você pode ter uma ideia sobre quem eram essas mulheres como pessoas. Mas o americano médio provavelmente não poderá contar muito sobre Martha Washington, que viveu séculos atrás. (Se você não é americano, substitua “Martha Washington” pelo nome da mãe de uma figura política importante que viveu há 300 anos. Sou americana, então este é o exemplo que estou usando. Além disso, eu já posso ouvir os nerds da história protestando - sente-se, você está nitidamente acima da média.).
Da mesma forma, o westerosi médio deve (misoginia à parte) geralmente ser capaz de lhe dizer algo sobre as mulheres importantes em suas vidas. Na história da vida de nosso mundo, reis, senhores e outros nobres compartilharam ou preservaram informações sobre suas esposas, mães, irmãs e outras mulheres, apesar de terem vivido em sociedades medievais extremamente misóginas.
Então, não estou falando “Ah, meus deus, uma mulher morreu, fiquem revoltados”. Não é isso.
Eu geralmente limito o CSM às mulheres que morreram recentemente na história westerosi e que tiveram suas humanidades negadas de uma maneira que seus contemporâneos do sexo masculino não tiveram.
*~*~*~*~
PARTE IV: POR QUE ISSO IMPORTA?
O Clube da Senhoras Mortas é formado por mulheres de até duas gerações passadas, sobre as quais devemos saber mais, mas não sabemos. Nós sabemos pouco mais além de que elas tiveram filhos e morreram. Eu não conheço essas mulheres, exceto através do fandom transformativo. Eu conheci muito sobre os personagens masculinos pré-série no texto, mas cânone não me dá quase nada sobre essas mulheres.
Para copiar de outra postagem minha sobre essa questão, é como se as Senhoras Mortas existissem na narrativa do GRRM apenas para serem abusadas, estupradas, parir e morrer para mais tarde terem seus semblantes imutáveis moldados em pedra e serem colocadas em pedestais para serem idealizadas. As mulheres do Clube das Senhoras Mortas não têm a mesma caracterização e evolução dos personagens masculinos pré-série.
Pense em Jaime, que, embora não seja um personagem pré-série, é um ótimo exemplo de como o GRRM pode usar a caracterização para brincar com seus leitores. Começamos vendo Jaime como um babaca que empurra crianças de janelas (e não me entenda mal, ele ainda é um babaca que empurra crianças para fora das janelas), mas ele também é muito mais do que isso. Nossa percepção como leitores muda e entendemos que Jaime é bastante complexo, multicamadas e cinza.
Quanto a personagens masculinos mortos pré-série, GRRM ainda consegue fazer coisas interessantes com suas histórias, e transmitir seus desejos, e brincar com as percepções dos leitores. Rhaegar é um excelente exemplo. Os leitores vão da versão de Robert da história, de que Rhaegar era um supervilão sádico, à ideia de que o que quer que tenha acontecido entre Rhaegar e Lyanna não foi tão simples como Robert acreditava, e alguns fãs progrediam ainda mais para essa ideia de que Rhaegar era fortemente motivado por profecias.
Mas nós não temos esse tipo de desenvolvimento de personagens com as Senhoras Mortas. Por exemplo, Elia existe na narrativa para ser estuprada e morrer, e para motivar os desejos de Doran por justiça e vingança, um símbolo da causa dornesa, um lembrete da narrativa de que são os inocentes que mais sofrem no jogo dos tronos. . Mas nós não sabemos quem ela era como pessoa. Nós não sabemos o que ela queria na vida, como ela se sentia, com o que ela sonhava.
Nós não temos caracterização do CSM, nós não temos mudanças na percepção, mal conseguimos qualquer coisa quando se trata dessas mulheres. GRRM não escreve personagens femininas pré-série da mesma maneira que ele escreve personagens masculinos pré-série. Essas mulheres não recebem espaço na narrativa da mesma forma que seus contemporâneos masculinos.
Pensa na Princesa Sem Nome de Dorne, mãe de Doran, Elia e Oberyn. Ela era a única governante feminina de um reino enquanto a geração Rebelião de Robert estava surgindo, e ela também é a única líder de uma grande Casa durante esse período cujo nome não temos.
O Norte? Governado por Rickard Stark. As Terras Fluviais? Governadas por Hoster Tully. As Ilhas de Ferro? Governadas por Quellon Greyjoy. O Vale? Governado por Jon Arryn. As Terras Ocidentais? Governadas por Tywin Lannister. As Terras da Tempestade? Steffon, e depois Robert Baratheon. A Campina? Mace Tyrell. Mas e Dorne? Apenas uma mulher sem nome, ops, quem diabos liga, quem liga, por se importar com um nome, quem precisa de um, não é como se nomes importassem em ASOIAF, né? *sarcasmo*
Não nos deram o nome dela nem em O Mundo de Gelo e Fogo, ainda que a Princesa Sem Nome tenha sido mencionada lá. E essa falta de um nome é muito limitante - é tão difícil discutir a política de um governante e avaliar suas decisões quando o governante nem sequer tem um nome.
Para falar mais sobre o anonimato das mulheres... Tysha não conseguiu um nome até o A Fúria dos Reis. Apesar de terem sido mencionadas nos apêndices do livro 1, nem Joanna nem Rhaella foram nomeadas dentro da história até o A Tormenta de Espadas. A mãe de Ned Stark não tinha um nome até surgir a árvore genealógica no apêndice da TWOIAF. E quando a Princesa Sem Nome de Dorne conseguirá um nome? Quando?
Quando penso nisso, não posso deixar de pensar nesta citação: "Ela odiava o anonimato das mulheres nas histórias, como se elas vivessem e morressem só para que os homens pudessem ter sacadas metafísicas." Muitas vezes essas mulheres existem para promover os personagens masculinos, de uma forma que não se aplica a homens como Rhaegar ou Aerys.
Eu não acho que GRRM esteja deixando de fora ou atrasando esses nomes de propósito. Eu não acho que GRRM está fazendo nada disso deliberadamente. O Clube das Mulheres Mortas, em minha opinião, é o resultado da indiferença, não de maldade.
Mas esses tipos de descuidos, como a princesa de Dorne, que não têm nome, são, em minha opinião, indicativos de uma tendência muito maior - GRRM recusa dar espaço a essas mulheres mortas na narrativa, ao mesmo tempo em que proporciona espaço significativo aos personagens masculinos mortos ou anteriores à série. Esta questão, em minha opinião, é importante para a teoria espacial feminista - ou as maneiras pelas quais as mulheres habitam ou ocupam o espaço (ou são impedidas de fazê-lo). Algumas acadêmicas feministas argumentam que mesmo os “lugares” ou “espaços” conceituais (como uma narrativa ou uma história) influenciam o poder político, a cultura e a experiência social das pessoas. Essa discussão provavelmente está além do escopo desta postagem, mas basicamente argumenta-se que as mulheres e meninas são socializadas para ocupar menos espaço do que os homens em seus arredores. Assim, quando o GRRM recusa o espaço narrativo para as mulheres pré-série de uma forma que ele não faz para os homens pré-série, sinto que ele está jogando a favor de tropes misóginas ao invés de subvertê-las.
*~*~*~*~
PARTE V: A MORTE DA MÃE
Dado que muitas dos CSM (embora não todas) eram mães, e que muitas morreram no parto, eu quero examinar este fenômeno com mais detalhes, e discutir o que significa para o Clube das Senhoras Mortas.
A cultura popular tende a priorizar a paternidade, marginalizando a maternidade. (Veja a longa história de mães mortas ou ausentes da Disney, storytelling que é meramente uma continuação de uma tradição de conto de fadas muito mais antiga da “aniquilação simbólica” da figura materna.) As plateias são socializadas para ver as mães como “dispensáveis”, enquanto pais são “insubstituíveis”:
Isto é alcançado não apenas removendo a mãe da narrativa e minando sua atividade materna, mas também mostrando obsessivamente sua morte, repetidas vezes. […] A morte da mãe é invocada repetidamente como uma necessidade romântica [...] assim parece ser um reflexo na cultura visual popular matar a mãe. [x]
Para mim, a existência do Clube das Senhoras Mortas está perpetuando a tendência de desvalorizar a maternidade, e ao contrário de tantas outras coisas sobre o ASOIAF, não é original, não é subversivo e não é boa escrita.
Pense em Lyarra Stark. Nas próprias palavras de GRRM, quando perguntado sobre quem era a mãe de Ned Stark e como ela morreu, ele nos diz laconicamente: “Senhora Stark. Ela morreu”. Não sabemos nada sobre Lyarra Stark, além de que ela se casou com seu primo Rickard, deu à luz quatro filhos e morreu durante ou após o nascimento de Benjen. É outro exemplo de indiferença casual e desconsideração do GRRM para com essas mulheres, e isso é muito decepcionante vindo de um autor que é, em diversos aspectos, tão incrível. Se GRRM pode imaginar um mundo tão rico e variado como Westeros, por que é tão comum que quando se trata de parentes femininos de seus personagens, tudo o que GRRM pode imaginar é que eles sofrem e morrem?
Agora, você pode estar dizendo, “morrer no parto é apenas algo que acontece com as mulheres, então qual é o grande problema?”. Claro, as mulheres morriam no parto na Idade Média em percentuais alarmantes. Suponhamos que a medicina westerosi se aproxime da medicina medieval - mesmo se fizermos essa suposição, a taxa em que essas mulheres estão morrendo no parto em Westeros é excessivamente alta em comparação com a verdadeira Idade Média, estatisticamente falando. Mas aqui vai a rasteira: a medicina de Westerosi não é medieval. A medicina de Westerosi é melhor do que a medicina medieval. Parafraseando meu amigo @alamutjones, Westeros tem uma medicina melhor do que a medieval, mas pior do que os resultados medievais quando se trata de mulheres. GRRM está colocando interferindo na balança aqui. E isso demonstra preguiça.
Morte no parto é, por definição, um óbito muito pertencente a um gênero. E é assim que GRRM define essas mulheres - elas deram à luz e elas morreram, e nada mais sobre elas é importante para ele. ("Senhora Stark. Ela morreu.") Claro, há algumas pequenas minúcias que podemos reunir sobre essas mulheres se apertarmos os olhos. Lyanna foi chamada de voluntariosa, e ela teve algum tipo de relacionamento com Rhaegar Targaryen que o júri ainda está na expectativa de conhecer, mas seu consentimento foi duvidoso na melhor das hipóteses. Joanna estava felizmente casada, e ela foi desejada por Aerys Targaryen, e ela pode ou não ter sido estuprada. Rhaella foi definitivamente estuprada para conceber Daenerys, que ela morreu dando à luz.
Por que essas mulheres têm um tratamento de gênero? Por que tantas mães morreram no parto em ASOIAF? Os pais não tendem a ter mortes motivadas por seu gênero em Westeros, então por que a causa da morte não é mais variada para as mulheres?
E por que tantas mulheres em ASOIAF são definidas por sua ausência, como buracos negros, como um espaço negativo na narrativa?
O mesmo não pode ser dito de tantos pais em ASOIAF. Considere Cersei, Jaime e Tyrion, mas cujo pai é uma figura divina em suas vidas, tanto antes como depois de sua morte. Mesmo morto, Tywin ainda governa a vida de seus filhos.
É a relação entre pai e filho (Randyll Tarly, Selwyn Tarth, Rickard Stark, Hoster Tully, etc.) que GRR dá tanto peso em relação ao relacionamento da mãe, com notáveis exceções encontradas em Catelyn Stark e Cersei Lannister. (Embora com Cersei, acho que poderia ser arguir que GRRM não está subvertendo nada - ele está jogando no lado negro da maternidade, e a ideia de que as mães prejudicam seus filhos com sua presença - que é basicamente o outro lado da trope da mãe morta - mas esta postagem já está com um tamanho absurdo e eu não vou entrar nisso aqui.)
*~*~*~*~
PARTE VI: O CSM E VIOLÊNCIA SEXUAL
Apesar de suas alegações de verossimilhança histórica, GRRM fez Westeros mais misógino do que a verdadeira Idade Média. Tendo em conta que detalhes sobre violência sexual são as principais informações que temos sobre o CSM, por que é necessária tanta violência sexual?
Eu discuto esta questão em profundidade na minha tag #rape culture in Westeros, mas acho que merece ser tocado aqui, pelo menos brevemente.
Garotas como Tysha são definidas pela violência sexual pela qual passaram. Sabemos sobre o estupro coletivo de Tysha no livro 1, mas sequer aprendemos seu nome até o livro 2. Muitas do CSM são vítimas de violência sexual, com pouca ou nenhuma atenção dada a como essa violência as afetou pessoalmente. Mais atenção é dada a como a violência sexual afetou os homens em suas vidas. Com cada novo assédio sexual que Joanna sofreu em razão de Aerys, sabemos que por meio de O Mundo de Gelo e Fogo que Tywin rachou um pouco mais, mas como Joanna se sentiu? Sabemos que Rhaella havia sido abusada a ponto de parecer que uma fera a atacara, e sabemos que Jaime se sentia extremamente conflituoso por causa de seus juramentos da Guarda Real, mas como Rhaella se sentia quando seu agressor era seu irmão-marido? Sabemos mais sobre o abuso que essas mulheres sofreram do que sobre as próprias mulheres. A narrativa objetifica, ao invés de humanizar, o CSM.
Por que os personagens messiânicos de GRRM têm que ser concebidos por meio de estupro? A figura materna sendo estuprada e sacrificada em prol do messias/herói é uma trope de fantasia velha e batida, e GRRM faz isso não uma vez, mas duas (ou possivelmente três) vezes. Sério, GRRM? Sério? GRRM não precisa depender de mães estupradas e mortas como parte de sua história trágica pré-fabricada. GRRM pode fazer melhor que isso, e ele deveria. (Mais debates na minha tag #gender in ASOIAF.)
*~*~*~*~
PARTE VII: SACRIFÍCIO MASCULINO, SACRIFÍCIO FEMININO E ESCOLHA
Agora, você pode estar se perguntando: "É normal que os personagens masculinos se sacrifiquem, então por que as mulheres não podem se sacrificar em prol do messias? O sacrifício feminino não é subversivo?”
Sacrifício masculino e sacrifício feminino muitas vezes não são os mesmos na cultura popular. Para resumir - os homens se sacrificam, enquanto as mulheres são sacrificadas.
As mulheres que morrem no parto para dar à luz o messias não são a mesma coisa que os personagens masculinos fazendo uma última grande investida com armas em punho para dar ao Herói Messiânico a chance de Fazer A Coisa. Os personagens masculinos que se vão com armas fumegantes em mãos escolhem esse destino; é o resultado final da sua caracterização fazer isso. Pense em Syrio Forel. Ele escolhe se sacrificar para salvar um dos nossos protagonistas.
Mas mulheres como Lyanna, Rhaella e Joanna não tiveram uma escolha, não tiveram nenhum grande momento de vitória existencial que fosse a ápice de seus personagens; eles apenas morreram. Elas sangraram, elas adoeceram, elas foram assassinados - elas-apenas-morreram. Não havia grande escolha para se sacrificar em favor de salvar o mundo, não havia opção de recusar o sacrifício, não havia escolha alguma.
E isso é fundamental. É isso que está no coração de todas as histórias do GRRM: escolha. Como eu disse aqui,
“Escolha […]. Esta é a diferença entre bem e mal, você sabe disso. Agora parece que sou eu que tenho que fazer uma escolha” (Sonho Febril). Nas palavras do próprio GRRM, “Isso é algo que se vê bem em meus livros: Eu acredito em grandes personagens. Todos nós somente capazes de fazer grandes coisas, e de fazer coisas ruins. Nós temos os anjos e os demônios dentro de nós, e nossas vidas são uma sucessão de escolhas.” São as escolhas que machucam, as escolhas em que o bom e o mal são sopesados – essas são as escolhas em que “o coração humano [está] em conflito consigo mesmo”, o que GRRM considera “a única coisa que vale a pena escrever sobre”.
Homens como Aerys, Rhaegar e Tywin fazem escolhas em ASOIAF; mulheres como Rhaella não têm nenhuma escolha na narrativa.
GRRM acha que não vale a pena escrever sobre as histórias do Clube das Senhoras Mortas? Não houve nenhum momento na mente do GRRM em que Rhaella, Elia ou Ashara se sentiram em conflito em seus corações, em nenhum momento eles sentiram suas lealdades divididas? Como Lynesse se sentiu escolhendo concubinato? E sobre Tysha, que amou um garoto Lannister, mas sofreu estupro coletivo nas mãos da Casa Lannister? Como ela se sentiu?
Seria muito diferente se soubéssemos sobre as escolhas que Lyanna, Rhaella e Elia fizeram. (O Fandom frequentemente especula sobre se, por exemplo, Lyanna escolheu ir com Rhaegar, mas o texto permanece em silêncio sobre este assunto mesmo em A Dança dos Dragões. GRRM permanece em silêncio sobre as escolhas dessas mulheres.)
Seria diferente se o GRRM explorasse seus corações em conflito, mas não ficamos sabendo de nada sobre isso. Seria subversivo se essas mulheres escolhessem ativamente se sacrificar, mas não o fizeram.
Dany provavelmente está sendo criada como uma mulher que ativamente escolhe se sacrificar para salvar o mundo, e acho isso subversivo, um esforço valoroso e louvável da parte da GRRM lidar com essa dicotomia entre o sacrifício masculino e o sacrifício feminino. Mas eu não acho que isso compensa todas essas mulheres mortas sacrificadas no parto sem escolha.
*~*~*~*~
PARTE VIII: CONCLUSÕES
Espero que este post sirva como uma definição funcional do Clube das Senhoras Mortas, um termo que, pelo menos para mim, carrega muitas críticas ao modo como a GRRM lida com essas personagens femininas. O termo engloba a falta de voz dessas mulheres, o abuso excessivo e fortemente ligado ao gênero que sofreram e sua falta de caracterização e arbítrio.
GRRM chama seus personagens de seus filhos. Eu me sinto como essas mulheres mortas - as mães, as esposas, as irmãs - eu sinto como se essas mulheres fossem crianças natimortas de GRRM, sem nada a não ser um nome em uma certidão de nascimento, e muito potencial perdido, e um buraco onde já houve um coração na história de outra pessoa. Desde os meus primeiros dias no tumblr, eu queria dar voz a essas mulheres sem voz. Muitas vezes elas foram esquecidas, e eu não queria que elas fossem.
Porque se elas fossem esquecidas - se tudo o que havia para elas era morrer - como eu poderia acreditar em ASOIAF?
Como posso acreditar que “a vida dos homens tem significado, não sua morte” se GRRM criou este grupo de mulheres meramente para ser sacrificado? Sacrificado por profecia, ou pela dor de outra pessoa, ou simplesmente pela tragédia em tudo isso?
Como posso acreditar em todas as coisas que a ASOIAF representa? Eu sei que GRRM faz um ótimo trabalho com Sansa, Arya e Dany e todos os outros POVs femininos, e eu o admiro por isso.
Mas quando a ASOIAF pergunta, “o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?” Qual é o valor de uma vida, quando comparada a tanta coisa? E Davos responde, suavemente, “Tudo”… Quando ASOIAF diz que… quando a ASOIAF diz que uma vida vale tudo, como as pessoas podem me dizer que essas mulheres não importam?
Como posso acreditar em ASOIAF como uma celebração à humanidade, quando a GRRM desumaniza e objetifica essas mulheres?
O tratamento dessas mulheres enfraquece a tese central da ASOIAF, e não precisava ser assim. GRRM é melhor do que isso. Ele pode fazer melhor.
Eu quero estar errada sobre tudo isso. Eu quero que GRRM nos conte em Os Ventos do Inverno tudo sobre as escolhas de Lyanna, e eu quero aprender o nome da Princesa Sem Nome, e eu quero saber que três mulheres não foram estupradas para cumprir uma profecia da GRRM. Eu quero que GRRM sopre vida dentro delas, porque eu o considero o melhor escritor de fantasia vivo.
Mas eu não sei se ele fará isso. O melhor que posso dizer é eu quero acreditar.
[...]
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2018.10.24 03:21 TristanVonLoppeux Sobre o aborto e um comentário do sub

Escrevo esse texto pois sou contrário a legalização do aborto e favorável a sua interpretação como assassinato de incapaz, mas desejo ter minha posição contra-argumentada. A seguir exponho o comentário (lv2_thug) que me motivou a escrever o texto e minha argumentação contra a posição dele.

A lei permite aborto no caso de estupro. Ok.
E se tivesse nascido? Seria a mesma coisa matar o bebê do que ter abortado?
Se sim, então fala pra todas as mulheres que engravidaram do estuprador que elas são assassinas. Vai lá, vou comprar pipoca e assistir de longe.
Se não, então acho que está definido que o aborto não é assassinato coisa nenhuma.
Obs.: Na faculdade vi muito parto de menina de 15, 14, 13 anos que engravidou de Zé Droguinha. Eu pagaria do meu bolso para oferecer uma alternativa a essas mães para essas crianças não nascerem, pode ter certeza.
Entendo o problema, sou médico e passo por experiência semelhante. Porém tenho algumas divergências contra a sua interpretação dos fatos.
  1. Se algumas pessoas não se sentem como se tivessem cometido um assassinato ao provocar um aborto, da mesma forma há pessoas que se sentiriam dessa forma. Logo, a forma como um se sente não é ideal para definir isto.
  2. Também, a ideia de que cada um deve ser livre para fazer o que bem entender não se aplica aqui, pois estamos tratando de um assunto que dependendo da definição poderíamos estar matando um terceiro ou não. Defender a ideia de que deve ser legal porque cada um age segundo a sua consciência seria o mesmo que defender a legalização do homicídio, por exemplo.
  3. Desde a fusão entre o óvulo e o espermatozoide o embrião já carrega um DNA humano próprio que irá o acompanhar ao longo de toda a vida. E poucas horas depois da fecundação já há tecidos diferenciados que realizam funções diferentes. Ou seja, um embrião é diferente de um dedo amputado ou um pedaço do seu fígado. Um embrião é um ORGANISMO HUMANO VIVO diferente da mãe já desde poucas horas após a concepção.
  4. Visto isso, o embrião não é uma criatura diferente, mas sim um ser humano em estágio de desenvolvimento diferente, assim como criança, adulto e idoso são estágios diferentes do desenvolvimento. O fato de sentir dor ou não, ter sistema nervoso completamente formado ou não, é irrelevante para defini-lo como ser humano ou não.
  5. Quando utilizam-se de critérios como a capacidade de sentir dor para discricionar se pode ou não mata-lo, o que se está tentando fazer na verdade não é definir quando começa a vida, pois isso já sabemos, mas sim definir quais vidas são valiosas e quais não são.
  6. Se o embrião é um ser humano vivo, indefeso e sem culpa, por qual argumento moral se torna justificável matá-lo?
  7. A única alternativa moralmente viável para matá-lo, acredito eu, é em casos onde é moralmente aceitável matar qualquer outro inocente. Ou seja, quando a morte do inocente é inevitável e antecipar esta morte pode salvar a vida de outros. Neste caso, me refiro aos abortos de gravidezes tubárias ou outras anomalias inviáveis e que põem em risco a vida da mãe.
  8. Por outro lado, se aceitarmos a noção de que é justificável matar o embrião em outras situações, como por exemplo um estupro ou pela vontade da mãe, o que estamos dizendo é que é justificável matar um ser humano inocente para 'resolver' um problema que há outros meios de se resolver sem matar ninguém.
  9. Nos casos de estupro, algumas medidas imediatas como apoio psicológico, prisão e castração química do estuprador, junto a trabalho forçado para restituir a vítima pelo resto de sua vida é um caminho melhor do que matar um inocente.
  10. E claro, há medidas de longo prazo que podem e devem ser buscadas, como o fim da cultura do crime e da promiscuidade (Não só estupros aumentaram, mas em dez anos a prevalência de sífilis no Rio de Janeiro aumentou em 40 vezes. Há diversas crianças nascendo com retardo mental congênito por conta disso. Enfim, é um problema bem mais abrangente).
  11. Sobre chamar mulheres estupradas que abortam de assassinas. Já viu algum caso de mulher que abortou e foi presa por isso? Não, né? Pois bem, mas e clínicas de aborto, médicos e outras pessoas que fazem abortos no país? Ah, esses sim. É óbvio que nenhuma promotoria ou juiz em sã consciência vai interpretar que uma mulher passando por esse inferno de situação é culpada ao ponto de ir presa, mas é claro também que a proibição da prática torna possível prender pessoas que fazem o ato de abortar uma profissão ou fazem lobby disto no país. Quando legalizada, mesmo que somente em casos de estupro, o que impede empresas do ramo de realizarem lobby para expandir cada vez mais a idade gestacional e aumentar sua margem de mercado? Nada, e foi exatamente isso o que ocorreu há poucos dias na Colômbia. Um país que já aceitava o aborto até 20 semanas agora o permite até poucos dias antes do nascimento. E, note, que assim como o Brasil, é um país cujo direito a vida é uma clausula constitucional.
  12. Se o embrião é um ser humano vivo, e o Estado deve garantir o direito a vida de seus cidadãos, a única interpretação possível para matá-lo é a de que o embrião não é ainda um cidadão (ser dotado de direitos) por motivos subjetivos x, y, z. E é exatamente este o caso.
  13. Se damos poder ao Estado para definir quais seres humanos tem valor ou não, onde diabos acha que isto irá parar?

submitted by TristanVonLoppeux to brasilivre [link] [comments]


2018.05.06 00:21 VeteranCommander Preciso perder peso, e talvez a minha vida dependa disso

Olá pessoal, sei que o título é forte mas não é uma bait, e pra explicar isso, preciso contar um pouco da minha história (vai ter tl;dr).
Até os meus 13 anos eu sempre fui o garoto gordo e nerd da sala, aquele que as meninas chamavam de nojento pelas costas mesmo sem ele sequer interagir com elas e tal, eu cheguei ao ponto de ter 96kg aos 13 anos de idade (Com 1,62!) porque meus pais não gostavam do fato de eu ser uma criança magra demais e me fizeram tomar todo tipo de coisa feita pra dar apetite.
Como eu sempre estive em contato com computadores desde os meus 5 anos (tenho 25 hoje) e até fazia bicos fazendo instalação e configuração de PC's na época do W98 (eu tinha 7 anos) devido a situação difícil da minha família naquele momento, acabei me tornando bastante sedentário mas mesmo assim não comia muito e acabava não engordando. Do ponto em que comecei a comer pra valer ganhei peso muito rapidamente e a minha vida escolar foi pro buraco, bullying era só a ponta do iceberg.
Pra piorar tudo, depois do estrago feito, meus pais me culpavam por comer muito e diziam que as razões das minhas reclamações sobre a escola eram coisa passageira que eu deveria ignorar, aquela situação parecia um poço sem fundo, onde eu já contemplava a ideia de simplesmente ficar em casa e definhar, aquela vontade de comer estava indo embora mas junto dela também todo o resto.
Aos 13 anos e a beira de uma depressão (já não ia mais pra escola) eles finalmente decidiram tentar me ajudar de alguma forma e me levaram num psiquiatra, além de nutricionista e me colocaram numa academia um mês depois. Eu tomei gosto pelo exercício depois de alguns meses de tratamento e em cerca de um ano e seis meses perdi cerca de 34kg, numa combinação de musculação, Jiu Jitsu e Kendo/Iaido (sim, eu sou weeb, foi inevitável), chegando a ter uma condição física muito acima da média aos 16 anos segundo os meus professores na academia.
Isso me trouxe uma mudança muito grande na vida escolar (e adolescente), minha auto estima apareceu, eu conseguia interagir e falar normalmente com as meninas, tive minhas primeiras experiências sexuais, não aceitava desaforo nenhum apesar de não sair batendo nas pessoas de graça, graças aos ensinamentos que vieram com as artes marciais.
Claro, uma hora ia ter uma derrocada, e ela veio quando eu precisei trabalhar e estudar ao mesmo tempo, aos 19 anos tive o meu primeiro emprego num help desk, e também fazia um curso técnico, meu tempo pra me exercitar sumiu e aos poucos, aquela disposição do qual eu me orgulhava foi embora, depois de dois anos, havia terminado o curso mas mudei de emprego pra com uma carga horária mais alta onde eu comecei a me estabilizar financeiramente e fui morar sozinho, apesar de ser uma casa da família que estava sendo alugada antes.
Todo esse furacão da vida adulta me deixou sem cabeça pro resto da vida e eu percebi que estava me fechando mais uma vez, ganhando peso, perdendo confiança e vendo aquele buraco voltando, hoje, o abismo já parece estar na minha frente e eu já contemplei o suicídio algumas vezes, não vejo um motivo pra continuar, fico ansioso e congelo/desisto em situações simples como um smalltalk qualquer com uma garota que me atraia.
A solidão se empilha cada vez mais e cada vez mais eu odeio o que vejo no espelho, o que vejo no meu trabalho, na balança, não consigo pensar em nada que me faça realmente feliz, só em algumas maneiras de aliviar o sofrimento de forma paliativa, decidi que mesmo que eu esteja cada vez mais sem energia, alguma coisa precisa mudar enquanto ainda estou aqui, enquanto ainda consigo desistir do suicídio pensando naquelas poucas pessoas (e dois cachorros) que sentiriam a minha falta.
A mera tarefa de sintetizar a minha historia pra fazer esse post já está me fazendo querer chorar e me faz lembrar daquele garoto confiante que conseguia correr atrás de tudo o que almejava, então finalmente chega o ponto principal, o meu primeiro passo é voltar a não detestar tanto o que vejo no espelho, já que isso parece a parte mais "simples".
Tenho 1,78 e cerca de 110kg, preciso de dicas de como perder um pouco disso sem o tempo que tinha antes, tenho cerca de 4 horas livres diárias pela manhã agora que não estou estudando e mudei de emprego, sei que talvez a minha aparência geral só me agradaria "nascendo de novo", mas a aptidão física e a possibilidade de me vestir melhor sem me sentir ridículo ajudaria bastante.
Lembrando, não preciso e nem quero voltar a ser o rato de academia que eu era antes, não quero crescer ou ter definição, só quero ser mais magro mesmo.
Vou ao psicólogo e ao nutricionista, e talvez ao psiquiatra pra complementar, quero tentar melhorar enquanto ainda há tempo, enquanto minha mente ainda consegue suportar, então por favor, se alguém tem ideias pra como virar essa maré, tanto com a perda de peso quanto no geral, eu agradeceria muito!

TL;DR: Gordo depressivo numa espiral negativa precisa de ideias pra emagrecer e voltar a viver de verdade, antes que seja tarde demais.

submitted by VeteranCommander to brasil [link] [comments]


2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
submitted by botafora01 to desabafos [link] [comments]


2016.07.06 08:32 dacspike Os "Feminismos"

Olá pessoal, vi alguns tópicos sobre feminismo, e percebo que invariavelmente as discussões esquentam por eu achar que pessoas estão falando de coisas diferentes. Segue meu texto:
A definição do dicionário de Feminismo é
  1. doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.
  2. movimento que milita neste sentido.
  3. teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos.
Como o dicionário é descritivo e não prescritivo, ele registra como pessoas usam a palavra, e não proíbe que a palavra ganhe novas definições.
O movimento chamado Feminismo pode ser dividido em 3 ondas: A primeira, da virada do século XIX pro XX, das sufragistas, que queriam o direito de voto, propriedade privada e autonomia em contratos. A segunda onda, dos anos 60, foi sobre igualdade no mercado de trabalho, liberdade sexual e reprodutiva. Já a terceira onda, iniciada nos anos 90, é a mais difícil de definir, já que tem várias correntes. Atualmente, uma corrente dominante é a do feminismo interseccional. Volto nele mais tarde.
Outra coisa a qual se dá o nome de Feminismo é a chamada teoria Feminista, de autoras como Simone de Beauvoir, Judith Butler, Andrea Dworkin e Germaine Greer. Envolve conceitos como a Teoria de Gênero, resumida na frase de Beauvoir "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher", que diz que homem e mulher são construções sociais e não naturais (contrariando evidência científica 1234); Patriarcado, que diz que a sociedade foi organizada por homens e os beneficia injustamente; Heteronormatividade, que diz que heterossexualidade não é normal e sim imposta pela sociedade; entre outros.
O Feminismo interseccional, melhor exemplificado na frase da feminista Bell Hooks: “Nós temos constantemente que criticar a cultura patriarcal imperialista supremacista branca porque ela é normalizada pela mídia de massa e transformada em não-problemática.” é a corrente dominante atualmente. Essa corrente do Feminismo diz que homens brancos heteros cis dominam a sociedade através do patriarcado, e uma vez que não há diferenças biológicas entre homens e mulheres, qualquer desigualdade ou problema que seja desvantajoso a mulheres é necessariamente preconceito/opressão.
O fato de TUDO ISSO junto poder ser chamado de feminismo é, na minha opinião, o que causa essa desconexão entre feministas e anti-feministas. A maioria das feministas (que são as sabem do feminismo apenas superficialmente) acreditam que feminismo é a luta por igualdade. Elas vêem algo como a diferença de salários entre homens e mulheres (que simplesmente é média simples de todos os salários de todos so homens e mulheres, e discriminação faz um efeito negligível), ou que hajam mais homens no congresso (mesmo com mulheres sendo mais da metade dos eleitores e tendo escolhido colocá-los lá, poucas mulheres se candidatam) ou a quantidade de estupros no Brasil (um dos países mais violentos do mundo) e imediatamente acham que isso é culpa do patriarcado. Qualquer oposição ao feminismo vai parecer como oposição aos direitos das mulheres, como se anti-feministas quisessem tirar os direitos que as 2 primeiras ondas do feminismo conseguiram.
Muitas dessas pessoas nunca leram teoria feminista mesmo. As que leram, que são as que mais tem voz, como Jessica Valenti, Anita Sarkeesian e incontáveis outras nas redes sociais, essas sim são as radicais, já que teoria feminista contém pérolas como a frase de Sally Miller Gearhart: “A proporção de homens deve ser reduzida e mantida a aproximadamente 10% da humanidade.”, de Andrea Dworkin: "Relação sexual é a expressão formal, pura e estéril do desprezo dos homens pelas mulheres." e de Beauvoir: "Enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e do instinto materno não forem destruídos, as mulheres ainda serão oprimidas.". Embora sejam minoria (creio) são as que tem as maiores plataformas e vozes e são as líderes do movimento de fato. São estas que se preocupam em exigir que mulheres recebam mais que homens, mandar prender quem discorda delas, falar que Aquecimento Global é machista, renomear furacões, censurar palavras, livros, penteados, cartazes, revistas em quadrinhos, camisas, pornografia, video games, formas de sentar, pôsteres de filme e palestras de feministas consideradas hereges. Quando as feministas moderadas se deparam com estes absurdos, elas têm 2 opções: Dizer que nem todas feministas são assim, ou dizer que essas não são feministas de verdade.
Enquanto isso, os anti-feministas só vêem esses abusos mencionados, percebem que existem diversas situações em que mulheres são beneficiadas (homens são 91,4% das vítimas de homicídio, mais de 80% dos sem-teto, penas de prisão 63% maiores que de mulheres pelos mesmos crimes, 5 anos a mais de trabalho, 8 anos a menos de vida, o câncer de próstata atinge metade dos homens e o de mama só 12% das mulheres, mas o câncer de mama recebe 4 vezes a verba, quase o dobro de homens se suicida com relação a mulheres, têm chance maior de abandonar a escola mais cedo, são 96% das mortes de acidentes de trabalho, têm tendência maior a serem diagnosticados com TDAH, primariamente por causa do sistema de ensino voltado exclusivamente para meninas, homens não têm delegacia própria, proteção legal contra violência doméstica mesmo quando são a maioria das mortes fatais e mulheres iniciam 70% dos casos de violência doméstica, homens são acusados de serem estupradores em potencial, são ensinados que masculinidade é tóxica, etc.). Eles vêem feminismo como sendo um movimento anti-homem.
Eu acho que seria mais vantajoso as mulheres feministas não radicais abandonarem o termo feminismo em troca do igualitarismo, como sugere a feminista Christina Hoff Sommers (playlist recomendadíssima). Desta forma, continuam a luta contra desigualdades mas se distanciariam da loucura e não ficariam brigando à toa defendendo uma coisa enquanto seus opositores atacam outra.
EDIT: Estou disposto a mudar de opinião, se discordarem de algum ponto ou acharem que falei algo incorreto, fiquem a vontade para refutar. Gosto de ouvir todos os lados.
submitted by dacspike to brasil [link] [comments]


Pedro Barroso - 'Menina dos olhos d´água' - YouTube Diana Show PRT - YouTube Pouca Pausa - Clau, Cortesia Da Casa, Haikaiss I ... Treino Perna Durinha e Bumbum na Nuca com Funk - YouTube Resenha: Kit Definição da Cachos Naturais (Cabelo Cacheado) Pouca Pausa - YouTube

Consulte o significado / definição de moleca no Dicionário ...

  1. Pedro Barroso - 'Menina dos olhos d´água' - YouTube
  2. Diana Show PRT - YouTube
  3. Pouca Pausa - Clau, Cortesia Da Casa, Haikaiss I ...
  4. Treino Perna Durinha e Bumbum na Nuca com Funk - YouTube
  5. Resenha: Kit Definição da Cachos Naturais (Cabelo Cacheado)
  6. Pouca Pausa - YouTube
  7. Poesia Acústica #6 - Era Uma Vez - Mc Cabelinho, Orochi ...

NIVEL: INTERMÉDIARIO Coreógrafo: @tiagomontalti Part.Especial: @_amanndaraujo Gravação: @tiagovianna Edição: @tiagomontalti Workshops e trabalhos: (48)9177-7... Uma realização Pineapple Supply e Brainstorm Estúdio. Música - Poesia Acústica #6 - ERA UMA VEZ Letra/Voz - Mc Cabelinho, Orochi, Bob do Contra, Maquiny, Azz... Provided to YouTube by Universal Music Group Pouca Pausa · Clau · Cortesia Da Casa · Haikaiss Pouca Pausa ℗ 2018 Universal Music International Released on: 2... Perfect Fade in 4 Minutes How to Cut Men's Hair Best Tutorial Tip #2 - Duration: 4:26. Tips for Clips - Haircutting Recommended for you 👉 Quer perder peso dançando? Se inscreva agora » https://bit.ly/HAMPY_yt001 . . . O HAMPY é um programa de emagrecimento feminino online através da dança, co... Pedro Barroso ao vivo em Torres Novas, Câmaras: Daniel Campos, João André, Tiago José, Produção Vídeo: Manuela Madeira, Realização: Rijo Madeira. Bem-vindos ao canal oficial da Diana e Roma em português! Diana Show PRT - http://bit.ly/2TWKZTD (Diana e Roma em português)